quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sempre pensei ser melhor...

Uma longa jornada com destino nenhum,
Um labirinto de palavras diferentes,
Poesias erráticas, sem designio algum,
Uma noite que cai em sons estridentes.


De: André Brandão

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sonhos não nêm forma

Eras a marezia e eu pintava-te do parapeito da janela.
Eras o nevoeiro matinal.
Eras tudo o que tinha na minha tela
Gotas de água que brilhavam como cristal.

Tentei desenhar uma nuvem
Tentei ver-te nela
Era uma nuvem sem forma
Um espelho que não reflectia

Acordei tarde para o trabalho
Larguei a ilusão e lavei a cara
Levantei a cabeça e olhei em frente...

Afinal, ainda te consigo ver no espelho...
Afinal, ainda não acordei.


De: André Brandão

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dias das nossas vidas

Como ficam os quartos quando saímos?
Como ficam as velas quando se apagam?

O que fizeram das pessoas que me costumavam pegar ao colo?
Onde foram todos aqueles rostos curiosos, sorrisos falsos, omitindo a realidade da vida?
Iremos ver amanha o mesmo céu de hoje?
Por que é que temos o mesmo destino, mas seguimos sempre caminhos opostos?
Haverá espaço para todos os momentos de hoje, assim como há espaço para os de ontem?
Chega pedir "por favor", quando somos atraiçoados pela dor?
Que mais haverá para dizer, quando o pensamento falecer em fadiga?

Trouxe comigo uma vida
Mas não a ouso usar
Apenas espero sentado
Que a morte a venha buscar

Li paginas e paginas do meu pensamento
Mas parei a olhar no último capitulo
A vermelho cor de sangue o titulo:
"Minha vida é apenas vento".


De: André Brandão

sábado, 27 de dezembro de 2008

São desejos

Diz-me porquê?
Tudo parece desaparecer quando passo
Não há céu
Não há luto
Aqui só se contemplam pedras
Do tamanho de corações

São desejos
Perdidos
Congelados, petrificados
Espero que o teu se cumpra
O meu...
Traiu-me!

De: André Brandão

Posso não ficar mais...

Delicadas
Lembranças do que olhavamos
O que julgavamos nunca acabar
Tudo tem o seu sentido inverso
Se o nosso chegar
Serei o primeiro
O primeiro...

Quero poder ver como nasce o sol
Sem hesitar, mergulhar
E abrir os olhos
Ainda debaixo de água
Ver como fui ingénuo
Indiferente

Quero caminhar pela memória
Andar de mão dada com a lua
Quero reescrever a história
De desejar o tempo...
Mas o tempo não recua


De: André Brandão

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pálida noite de Cores

Pouco restava dessa solitária noite
Ouviasse ao longe os trémulos sinos
Do topo de uma igreja qualquer
Chamavam pelos despertos
Tilintavam melodias fatidicas
Estremeciam o chão.

Do peito jazia um fio de cêra
E chamas por todo o lado
Lentamente, ecoavam gritos desesperados
Sopravam!
Todo aquele silêncio
Se tornara num tumulto
E multidões cercavam o teatro de chamas
Numa dança frenética.

E lá ecoavam, agora intensivas,
As vozes
Do mar sangrento
Sedento de Pecado

De: André Brandão

domingo, 31 de agosto de 2008

Paraíso de Sombras

Um segundo...
Um breve momento de pacifismo espiritual.
Uma corrente de ar fria que me gela os dedos calejados.
Não os consigo mexer.
Mas sinto-as!
Sinto as agitadas sombras.
As mais inexperadas manchas negras vindas da clara luz por cima do alto muro que separa a perfeição do pecado.
Um segundo...
e BUM!
Um feixe de luz vermelha vinda da mesma fonte cai sobre os pecadores incinerando-os e deixando apenas...mais sombras.
Quando não restava vida dos que outrora praguejavam pecado sobre a Terra, o muro cai, e numa enorme explosão a luz clara desaparece.
Nesse instante, a corrente de ar fria acalma, até que desaparece.
Ergui o rosto ao céu e fechei os olhos.
Sentia o calor dos primeiros raios de sol a brotar por detrás das cinzentas nuvens.
Meus trêmulos dedos ganhavam de novo vida.
Abri os olhos e tudo ganhara côr.
As sombras, lentamente, clareavam e desapareciam à medida que os raios de luz atravessavam a escuridão em direcção ao paraíso.
Incredulos, avançavam agora sobre a Terra os curiosos rostos pálidos.
Tudo era verde e azul.
Tudo era vida.
Mas todavia, uma dúvida pairava em cada alma que presenciara A Vida.
"Se Deus nos fez, por que se desfez ele de nós?"

De: André Brandão